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Admirável “velho” mundo novo

mundo novo large

“Logo compreendi a gravidade da exploração que ia empreender; entrevi naqueles fenômenos a chave do problema tão obscuro e tão controvertido do passado e do futuro da Humanidade, a solução do que eu havia procurado durante toda a minha vida; era, numa palavra, toda uma revolução nas idéias e nas crenças (…)”.

“O estudo do Espiritismo é imenso”; “interessa a todas as questões da metafísica e da ordem social; é todo um mundo que se abre diante de nós.”

Essas palavras, tiradas de “O livro dos Espíritos” e “Obras Póstumas”, traduzem o sentimento do estudioso Hippolyte Léon Denizard Rivail, conhecido pelo codinome Allan Kardec, em meio a suas pesquisas e estudos acerca de um novo mundo: o espiritual.

Podemos perceber, nas palavras abaixo transcritas do Livro dos Espíritos, como os Instrutores Espirituais trataram desta questão ao serem indagados sobre o assunto.

Os Espíritos constituem um mundo à parte, fora daquele que vemos?

R. “Sim, o mundo dos Espíritos, ou das inteligências incorpóreas.”

Qual dos dois, o mundo espírita ou o mundo corpóreo, é o principal, na ordem das coisas?

R. “O mundo espírita, que preexiste e sobrevive a tudo.”

O mundo corporal poderia deixar de existir, ou nunca ter existido, sem que isso alterasse a essência do mundo espírita?

R. “Decerto. Eles são independentes; contudo, é incessante a correlação entre ambos, porquanto um sobre o outro incessantemente reagem.”

Desse modo, vemos que o mundo espiritual não é tão novo assim. É um velho mundo, primitivo e anterior com relação ao material, mas que se apresenta de forma nova ao planeta Terra.

Não é de se espantar a reação do Codificador no que diz respeito à revelação trazida pelas manifestações espíritas e por seu estudo sério e alicerçado nos ensinamentos evangélicos.

O nobre pedagogo, no instante em que se deparou com as idéias e fatos dos quais tinha conhecimento naquela época, passou a sonhar com o impacto da expansão de tal doutrina, principalmente perante as pessoas materializadas em ideais de orgulho e egoísmo.

O mundo espírita surge nos mostrando que não somos o que pensávamos que somos. Em nossa constituição, existe um corpo, mas também um espírito, que, aliás, é a nossa essência e nossa verdadeira identidade. O espírito comanda o corpo. Este, por sua vez, lhe serve de instrumento de ação.

Assim, nossa vida não se acaba com a morte do corpo material. Muito pelo contrário. Continuamos pensando, sentindo e agindo, mesmo depois da grande passagem, pela qual todos nós adentraremos um dia.

Sabendo disso, as pessoas poderiam refletir melhor sobre as conseqüências advindas dos vícios, das más inclinações, das errôneas intenções que estão interligadas à nossa alma?

E mais.  Ao adentrar no mundo espiritual, iremos colher os frutos de nossas ações na vida terrestre, que nada mais é do que um estágio de aprendizado, com o objetivo de alcançar degraus na escada da felicidade eterna.

Abrindo os olhos para essa nova visão, será que a resignação brilhará em todos os corações nos momentos de provas e desafios?

Ainda, Deus não nos culpa eternamente. Ao entrarmos em contato com a nossa consciência no mundo espiritual, talvez possamos ver que não fizemos o que poderíamos ter feito. Assim, Deus nos dá uma nova oportunidade de aprendizado, de acordo com o nosso merecimento. Poderemos retornar à esfera física, para moldar o nosso comportamento aos desígnios de Deus. Pois, se o espírito animou uma vez o corpo, porque não o pode fazer novamente?

Desvendando esse novo paradigma, a sociedade conseguirá entender o porquê de tantos acontecimentos inexplicáveis e que tanto abalam a idéia de um Deus Justo e Soberanamente Bom, como, por exemplo, o nascimento de fetos anencéfalos e/ou com deformidades incomuns?

Perceberemos que, diante da eternidade de nosso ser, os que mudaram de estado vivencial adentrando no mundo dos espíritos, agora podem retornar, e dar noticias aos parentes queridos e amados, que ainda continuam em provação e expiação no planeta azul.

Podemos diminuir a revolta e dor de mães e pais que estão temporariamente longe dos filhos que faleceram? Deveremos amenizar o inconformismo dos parentes que estão distantes fisicamente dos seus?

Decerto estamos em crescimento. O presente é o momento de colher as reminiscências do passado e de plantar as sementes que frutificarão no futuro. E diante de todas as nossas dificuldades, O Modelo e Guia da Humanidade permanece a postos, sempre nos intuindo a caminhar para o nosso objetivo que é atingir a felicidade, e nos aproximarmos mais de Deus.

Com essas idéias, poderíamos, quem sabe, diminuir a insegurança, a insensatez, a revolta, a indiferença, o desequilíbrio, a depressão, o rancor, a falta de fé e a ausência de esperanças? Quem sabe poderemos acreditar que Jesus não está tão longe de nós, e assim enquadrar nossa vida em Seu contexto magnânimo de amor e misericórdia?

Sim, Allan Kardec teve certa razão em ter tido esse sentimento de responsabilidade quando entrou em contato com os ensinamentos dos espíritos, pelo impacto que os mesmos trarão à sociedade. Que possamos também, na medida de nossa aceitação, clarear as nossas mentes com os conceitos e idéias advindas desse “novo” mundo, que é mais “velho” do que imaginamos.

 

Imagem por Basilievich em http://www.flickr.com/photos/29835102@N00/3584477597/.


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