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Os personagens do “céu” e do “inferno”

anjos

Sabemos que os fatos espirituais só passaram a ser estudados de forma mais séria e direta com o advento da doutrina espírita. Mas eles sempre ocorreram em todas as épocas da humanidade.

No hinduísmo, o Código de Vedas apresenta a seguinte idéia: “Os espíritos dos antepassados, no estado invisível, acompanham certos brâmanes, convidados para cerimônia em comemoração dos mortos, sob uma forma aérea; seguem-nos e tomam lugar ao seu lado quando eles se assentam”

Os sacerdotes do Egito antigo eram considerados pessoas iluminadas e sobrenaturais pois obtinham, apesar de ser da maneira incorreta, respostas quando pediam ajuda aos deuses.

Na Grécia, as pitonisas evocavam suas forças para funcionarem como oráculos, direcionando as atitudes de quem as procurava.

Sócrates, filósofo grego, era, de forma constante, orientado por um ser, ao qual ele mesmo chamava de celeste: “Desde minha infância, graças ao favor celeste, sou seguido por um Ser quase divino, cuja voz me interpela a esta ou àquela ação”.

Joana d´Arc, desde pequena escutava vozes, as quais eram atribuídas por ela aos santos Miguel, Margarida e Catarina. Esses santos a estimulavam a reconhecer Deus em sua vida. Empurrada pelas “vozes do céu”, conseguir dirigir o objetivo de libertar a França da Inglaterra, reorganizando o exército francês e conduzindo Carlos VII ao trono.

Na bíblia, podemos destacar a passagem na qual Lucas narra a aparição do anjo Gabriel a Maria: “Foi enviado por Deus o anjo Gabriel a uma cidade da Galiléia, a uma virgem chamada Maria, e chegando junto a ela, disse-lhe: “Salve Maria, cheia de graça, o Senhor está contigo”. Ela ficou confusa, mas disse-lhe o anjo: “Não tenhas medo, Maria, porque estais na graça do Senhor. Conceberás um filho a quem porás o nome de Jesus. Ele será filho do Altíssimo e seu Reino não terá fim” (Lucas 1, 26:33).

Estes acontecimentos de origem espiritual, que se alastram na sociedade, testemunhando a existência de um plano invisível aos nossos olhos, e desafiando a ciência, ainda materialista, nos propõem a edificação de novos conceitos em torno do que é a vida. Será que podemos nos relacionar melhor com Deus e com o mundo espiritual diante de tais ocorrências?

Ainda hoje, milhares de pessoas, inclusive as igrejas, acreditam que tais manifestações, se boas são oriundas de anjos (seres à parte na criação de Deus, destinados a lhes cumprir às ordens, habitantes do céu), e se más são provenientes dos demônios (criaturas rebeldes à lei de Deus e que procuram, já que são condenados eternos, levar a humanidade em sua companhia para o inferno).

Onde estaria a justiça de Deus se criasse seres privilegiados, que desfrutam de todo o benefício celestial de felicidade, alegria e paz ao lado do Criador, e outros ainda a passar por provações indescritíveis, correndo o risco ainda de ser punido eternamente por uma “justiça divina” que nos condena por dias sem fins, se errarmos em nosso caminhos na Terra?

Tal definição dos personagens do “céu” e do ïnferno” nos foge à razão.

Cabe, diante disso, darmos oportunidades a novas idéias, possibilitando uma mudança nos paradigmas há muito tempo edificados no pensamento da sociedade, que não servem mais para resolver o problema existencial, que tanto nos leva ao buraco de atitudes inferiores e vorazes, nos aprisionando no calabouço no íntimo de nosso ser.

A doutrina espírita, organizada por Allan Kardec, nos orienta a ver com outros olhos tais acontecimentos, tentando acopla-los à Justiça Divina e Sábia que rege todo o universo.

Existe vida após a morte? Sim.

Continuamos a pensar, sentir e agir nessa continuação de vida? Sim.

Isso sempre aconteceu em todas as épocas? Sim.

Então, se estivermos no mundo espiritual, pensando, agindo e sentindo, poderemos nos comunicar com quem está ainda com um corpo de carne? Sim.

Em todo o tempo em que a humanidade passou a existir nesse planeta que chamamos Terra, as comunicações espirituais aconteceram por força de seres sem o corpo físico, mas que estão intimamente ligados ao nosso modo de viver, pensar e trabalhar em favor do nosso crescimento espiritual. A maioria já viveu na Terra, outros ainda precisam voltar a ter esse contato mais forte com o corpo físico em prol de seu crescimento. Mas, sem exceção, não são seres criados à parte da filiação Divina.

Todos os manifestantes são espíritos da humanidade divina, que atingiram um certo grau de crescimento a ponto de proporcionarem uma ajuda a todos nós, ainda na estrada evolutiva. Outros não conseguiram se desvencilhar de suas imperfeições e suas inferioridades, e preponderam ainda sobre eles o ódio, a mágoa, o desequilíbrio, a frustração, a ira, o desencanto, a falta de fé, etc.

O conceito de anjo (do latim angelus e do grego ággelos -ἄγγελος-, mensageiro) foi criado apenas para representar o contato salutar do mundo espiritual com o mundo material, mas que, ao pé da letra, não são seres criados por Deus para fazerem Sua vontade, como uma categoria única na criação. São espíritos de seres que cresceram e evoluíram, como nós estamos fazendo, e atualmente ajudam nos desenvolvimento do nosso planeta. Somente em sentido figurado, podemos dizer, sim, que são anjos de Deus que conquistaram seu lugar no universo primordial da Criação. Assim, todos podemos ser mensageiros de Deus, possuindo um corpo material, ou um corpo espiritual, ao tentarmos transportar a mensagem de amor por onde passamos.

Do mesmo modo, os demônios foram estereotipados para representar as intervenções do mundo espiritual inferior, ou ignorante com relação às Leis de Deus, mas são também inteligências humanas com seus conflitos e dificuldades existenciais. Esse ser demoníaco criado pela sociedade facilita o processo de isenção de nossas faltas, responsabilizando seres que ainda estão em processo de crescimento e amadurecimento espiritual por nossas inclinações de natureza imperfeita.

Entender isso pode nos ajudar a realmente descobrir o caminho para a verdadeira felicidade. Se pararmos de colocar a culpa por nossas mazelas no diabo ou no demônio, e encararmos realmente que todos somos pessoas e criaturas com defeitos e imperfeições, poderemos ir de encontro com o nosso “eu” mais profundo e aprender a controlar e modificar nossas más inclinações.

Deus quer que aprendamos a ser “anjos”, nos distanciando cada vez mais dos “demônios” que existem dentro de nós mesmos, com o objetivo de CONQUISTARMOS a plenitude do Reino dos Céus em nosso espírito. O inferno, por sua vez, se mostra como a consequência de nossas atitudes inconsequentes, seja na Terra, ou seja no mundo espiritual, nos induzindo, através da dor e do sofrimento, a nos orientar em conquista de um mundo íntimo mais equilibrado e voltado para Deus.

Escrito por: Helton de Olivera Santos

 

FOTO por  ambigel em http://www.flickr.com/photos/ambigel/324912564/

PESQUISAS EM:

http://www.ippb.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=3872&catid=81

Wikipedia

Livro “O céu e o inferno” – Allan Kardec

 

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