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Ciência e Espiritualidade: Uma aliança inevitável

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A partir do momento em que nascemos, somos aparelhados para lidar com o mundo com o qual passamos a nos envolver. Desde criança, conseguimos aprender várias coisas por nós mesmos, e também receber o conhecimento cultural da sociedade na qual estamos inseridos. Tudo isso com a ajuda da razão, da nossa capacidade de crescer psicologicamente recebendo estímulos do ambiente, interpretando-os e transformando-os em atitudes e pensamentos.

É isso mesmo, vivemos aprendendo a usar a nossa razão para nos relacionarmos com fatos, atos e estímulos constantes.

Devido a este fato, o homem, diante das necessidades de que é portador, desenvolveu métodos de aprimoramento para supri-las, e assim foi criando, dilatando e ampliando o seu conhecimento sobre o mundo material, no qual está inserido.  Desse modo, a ciência foi exercendo sua atividade de modo preciso, alargando os horizontes da sociedade, e impulsionando o desenvolvimento tecnológico em diversos setores. Então, toda a nossa sociedade passou (e ainda continuar a passar) por um crescimento intelectual enorme, desde os primeiros rudimentos, quando o homem primitivo aprendeu a fazer raspadores, furadores, e até mesmo a manipular o fogo, até os dias atuais, nos quais o ser humano utiliza controle de qualidade em fábricas de manufatura , realiza testes microbiológicos em uma fábrica de queijo assegurando que as culturas contenham espécies apropriadas de bactérias, procede a obtenção e processamento de evidências da cena do crime (a ciência forense), planeja e monitora a exploração e uso do meio ambiente (leis ambientais), avalia saúde das pessoas utilizando uma ampla gama de exames médicos, investiga causas de um desastre (tais como em acidentes aéreos e outros), etc. Nessa evolução racional, nós, humanos, discutimos e criamos idéias para suprir nossas necessidades materiais, usando, sempre que possível, os elementos da natureza como matéria-prima para tal desenrolar.

Entretanto, o ser humano tem outra ferramenta em sua estrutura que também está em constante aprimoramento, qual seja: o senso de moralidade.

A moralidade pode ser conceituada como o conjunto de regras e normas que direcionam as atitudes do indivíduo perante os membros da sociedade na qual está incluso, como também perante o seu ser essencial, que busca constantemente o “porquê” e o “pra quê” de estar vivendo na Terra. Sem o crescimento dentro de nós deste viés do nosso espírito, seria impossível viver em conjunto com outras pessoas, pois iríamos sempre querer fazer tudo do nosso jeito, em detrimento do bem comum ou social. A existência de leis em uma determinada sociedade, trazendo regras de conduta social com poder coercitivo para uma melhor vivência em coletividade,  é um exemplo de que buscamos estabelecer normas morais (muitas vezes errôneas e outras vezes não obedecidas), com o objetivo de convivência saudável no conglomerado de indivíduos.

Então surge a seguinte indagação: existe algum setor da vida em sociedade que discute, aborda e dissemina idéias e argumentos objetivando esse crescimento moral? A resposta pode ser bem clara: Em tese, e na maioria das vezes, é o espiritualismo, representado por todas as religiões.

Assim, podemos vislumbrar dois lados de uma mesma moeda, em constante desenrolar no íntimo de nossa individualidade: de um lado a ciência, estudando as relações do homem com o mundo materialmente visível; e de outro o espiritualismo, edificando conceitos e idéias sob o enfoque moral e ético.

Esse assunto também foi abordado em “O livro dos espíritos”, organizado por Allan Kardec, e são esclarecedoras as respostas que as energias invisíveis oferecem ao estudioso pedagogo. Vejamos.

Quem tiver a oportunidade de ler esta obra, verá que na questão n. 780 tem a seguinte indagação: O progresso moral é sempre acompanhado do intelectual? Resposta: É sua conseqüência, mas nem sempre o segue imediatamente. Os amigos do plano invisível apenas reforçam os fatos que vemos se desdobrar na história da humanidade, dizendo que o ser humano tende a crescer primeiro intelectualmente e depois, por conseqüência, se aprimora moralmente.

Você deve estar se perguntando como o progresso intelectual pode encadear um desenvolvimento moral. Kardec também teve a mesma curiosidade, e por isso realizou a pergunta de n. 780-a, aos excelsos mensageiros: Como o avanço intelectual pode gerar o progresso moral? Resposta: Ao fazer compreender o bem e o mal; o homem, então, pode escolher. O desenvolvimento do livre-arbítrio segue o da inteligência e aumenta a responsabilidade dos seus atos. Chegará um momento no crescimento da humanidade em que a intelectualidade trará, por sua capacidade de raciocínio e concisão em analisar os fatos, uma noção mais ampla de nossas vidas, e assim fará surgir em nosso intimo uma exata certeza (universal) do que é correto e do que é errado.

Para que isso aconteça, deve haver uma aproximação da ciência com as expressões de espiritualidade e fé, o que culmina na descoberta, através de meios e métodos científicos, da existência do espírito imortal, que compõe a estrutura do ser humano.

Ao longo da história, a ciência, com o fervor racional de que é portadora, se distanciou dos aspectos espiritualistas, e com certa razão, predominantemente quando os dogmas e idéias de certas religiões queriam se sobrepor a fatos devidamente comprovados pela ciência, através de seus métodos fiéis de averiguação e constatação, os chamados métodos científicos. A tendente conseqüência de um fato como esse é exatamente o pensamento racional se afastar compulsoriamente do religioso. Aqui podemos lembrar daquelas velhas expressões que sempre escutamos do mais céticos: “esse cara é fanático”; “isso é coisa da sua cabeça”; “contra fatos não há argumentos”; “você está fugindo da realidade, procure um psicólogo”.

A tendência moderna é que essas duas correntes (ciência e espiritualidade) se aproximem cada vez mais. Isso pode acontecer porque fatos novos surgiram (e estão sempre ocorrendo cada vez mais)  - como por exemplo os fatos espirituais de Hydesville e das mesas girantes – e não conseguiram ser analisados pelas leis racionais até então vigentes à época dos acontecimentos, e a ciência prevalecente, cética como na maioria das vezes, analisou inicialmente tais casos de forma materialista, usando exatamente as leis vigentes e conhecidas pelo pensamento científico.

Então, o estudioso Allan Kardec, que detinha um pensamento cientista, começou a analisar tais fatos e os encarar de maneira racional. Edificou a idéia de que se os acontecimentos não se enquadravam em leis científicas vigentes, é porque deveriam ser explicitadas novas leis para abranger acontecimentos tão estonteantes e desafiadores.

Assim, o contexto espiritualista começou a adentrar no universo científico também com as experiências e estudos do nobre pedagogo Hippolyte Léon Denizard Rivail, que, como resultado de suas conjecturas, elaborou 06 (seis) livros que formam a base da doutrina espírita, quais sejam: o Livro dos Espíritos (1857), o que é espiritismo (1859), o Livro dos Médiuns (1861), o Evangelho segundo o Espiritismo (1864), o Céu e o Inferno (1865) e a Gênese (1868).

Foi como conseqüência desse estudo acurado e sério que o eminente pedagogo disse: “Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade”.

No livro “O que é o espiritismo”, Kardec conclui: O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal. Na mesma obra, ele acrescenta: O Espiritismo tem por fim demonstrar e estudar a manifestação dos Espíritos, suas faculdades, sua situação feliz ou infeliz, seu futuro; em suma, o conhecimento do Mundo Espiritual. (…) Essa crença apoia-se sobre o raciocínio e sobre os fatos. Eu próprio não a adotei senão depois de meticuloso exame, o hábito das coisas positivas, sondei, perscrutei esta nova ciência nos seus mais íntimos refolhos; busquei explicar-me tudo, porque não costumo aceitar idéia alguma sem lhe conhecer o como e o porquê.

E, por outro lado, como os experimentos, argumentos e idéias advindas das manifestações (analisadas sob o enfoque científico) imprimiam linhas de conduta moral para todos os que viessem a ler e estudar os livros construídos, o método científico usado por Kardec possibilitou a aproximação da ciência com os valores religiosos e espirituais.

Por causa desta aliança, passamos a saber que nós não somos esse corpo de carne e ossos, apenas o usamos emprestado. E quando tivermos que devolvê-lo, continuaremos pensando, sentindo e vivendo, colhendo o que plantamos no passado e adubando o solo para futuros plantios. Possivelmente assim alguns indivíduos possam pensam mais nos atos que praticam, e comecem a considerar as consequências advindas destes, sejam más ou boas, tentando ver que a nossa vida e o nosso futuro não acaba com a morte, mas se estende ao infinito.

Talvez, quando essa idéia da aproximação da razão com a espiritualidade estiver mais forte na nossa sociedade, os poderes constituídos e responsáveis por nossas mais importantes decisões ajam de forma equilibrada e condizente com o melhor interesse público, os profissionais liberais possam agir com mais responsabilidade perante seus clientes, os detentores de riquezas exuberantes e em excesso consigam distribuí-la, o dinheiro público destinado à educação e saúde da população chegue realmente ao seu destino.

Não há trecho mais oportuno para acabar essa postagem do que o seguinte, escrito por Kardec, no livro “O evangelho segundo o espiritismo”:

Estas afinidades (entre a ciência e a fé), uma vez constatadas pela experiência, fazem surgir uma nova luz: a fé se dirigiu à razão, a razão não encontrou nada de ilógico na fé, e o materialismo foi vencido. Mas, nisso, como em tudo, há pessoas que ficam para trás, até serem arrastadas pelo movimento geral, que as esmaga, se tentam resistir ao invés de o acompanhar. É toda uma revolução moral que se opera neste momento e que trabalha e aperfeiçoa os espíritos (seres humanos). Após ser elaborada durante mais de dezoito séculos, ela chega à sua plena realização e vai marcar uma nova era da Humanidade. As conseqüências dessa revolução são fáceis de se prever: deve trazer para as relações sociais inevitáveis modificações, às quais ninguém poderá se opor, porque estão na vontade de Deus e resultam da lei do progresso, que é sua Lei.

Portanto, fé (ou espiritualismo) sem a ciência perde credibilidade e força perante o nosso raciocínio, do mesmo modo que a ciência sem qualquer tipo de espiritualidade tende a ser materialista, o que torna as atitudes na sociedade cada vez mais egoístas e egocêntricas, dificultando as relações sociais.

Escrito por: Helton de Olivera Santos

 

 

 

Foto: Artista: Luis Arrieta, Espetáculo: Tango a Deus, Data: 03/04/2011, Local: Teatro Molière – Aliança Francesa, Crédito da foto: João Meirelles, Por: Vivadança Festival Internacional, em http://www.flickr.com/photos/vivadancafestival/5588796601/.

Consultas em:

LIVROS: O livro dos Espíritos – Allan Kardec (todos os grifos e comentários inseridos no texto das questões são nossos); O que é o espiritismo – Allan Kardec; O evangelho segundo o Espiritismo – Allan Kardec (todos os grifos e comentários inseridos no texto das questões são nossos).

SITES: Wikipédia.org; http://www.brasilescola.com/sociologia/o-que-moral.htm http://www.espirito.org.br/portal/artigos/paulosns/a-ciencia-desmente.html http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/religiao/objetivo-do-espiritismo.html#ciencia


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