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O livro dos espíritos? Que história é essa?

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O que você faria se estivesse em sua residência assistindo àquele “programinha” de TV num domingo e, de repente, escutasse um arranhão, uma batida bem forte e alta no chão da sua sala ou em alguma das paredes, camas tremendo e se movendo sozinhas, alguns arrastões de móveis não tendo sido registrado nenhuma outra pessoa ou qualquer tipo de ser vivo no local?

É claro que as respostas óbvias são: correr; correr para bem longe; “dar um pinote”, jogar a pipoca para o alto e se enfiar debaixo da cama; infartar; ou ligar para o 190.

Não foi o que fizeram os membros da família Fox. Vocês devem estar se perguntado: E isso já aconteceu com alguém?

Sim, aconteceu. Em 1848, a família Fox nutria a esperança de uma vida feliz em sua nova residência, na cidade de Hydesville, Estados Unidos da América. Duas eram as filhas: Margaret de 14 anos e Kate de 11 anos.

Os fatos acima descritos aconteciam na nova casa dos “Fox”, e com muita freqüência. Um certo dia, mais especificamente em 31 de março de 1848, motivada por um sentimento de curiosidade e desprendimento, a caçula Kate, ignorando todo o medo que decerto tomaria conta dos nossos corações, ousou desafiar as batidas e ruídos. Iniciou-se, então, uma brincadeira, que é popularmente conhecida como “siga o Mestre”. Kate Fox fazia um movimento, e como resultado se ouvia o mesmo som vindo não se sabe de onde. A menina também fechava os dedos da mão, sem fazer nenhum barulho, e em resposta escutava uma pancada.

Esse fato despertou a atenção de todos, e os atos passaram a ser mais eloqüentes e contundentes a ponto de a genitora da família fazer várias perguntas e a força estranha respondia de forma inteligente e acertada a todas. Naquele momento, verificou-se que os eventos estranhos aconteciam tanto em pleno dia como durante a noite, e independente da vontade ou predisposição das pessoas envolvidas.

Tudo estava muito misterioso. Foi quando, em um dos momentos de diálogo com essa força invisível, ao se perguntar sobre como se procediam tais eventos, veio a resposta de que era um homem que havia sido assassinado naquela residência, e seu nome era Charles B. Rosma. Tempos depois escavaram o solo onde se localizava a adega e acharam uma ossada, que posteriormente se reconheceu como sendo realmente do senhor Charles B. Rosma.

Concomitantemente, os mesmos fenômenos passaram a ocorrer em cidades vizinhas, e em locais distantes, como, por exemplo, na Europa.

Naquele período, com o aumento das manifestações, os europeus não usavam as mesas somente para as refeições diárias; eles as usavam também num fenômeno chamado de “mesas girantes”.

 

 

 

 

 

 

 

 

Mesas girantes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Agora, ao invés de batidas na parede e zoadas no telhado, ou coisas desse tipo, as pessoas passaram a “dialogar” com as forças invisíveis usando mesas, as quais, expostas a tais manifestações, giravam em seu próprio eixo, subiam e desciam, batiam no chão de forma inteligente, contundente e obediente a algumas indagações. Se isso tivesse ocorrido atualmente, alguém já teria filmado num celular com câmera e postado no “facebook”, e ainda mais, algum programa de TV já teria feito uma matéria para usar o fato de forma “sensacionalista”.

Enfim, naquela época virou uma “febre”. Faziam-se convites formais para que as pessoas participassem destes momentos; curiosos de todos os matizes se faziam presentes e até se divertiam com tais atividades, que eram novidade para os membros daquela sociedade.

No entanto, ao contrário de muitos da época que encaravam as manifestações de modo frívolo e aventureiro, o pedagogo Hippolyte Léon Denizard Rivail (mais conhecido por Allan Kardec), em 1854, conheceu o movimento das mesas girantes. Esse fato não chamou a sua atenção de imediato, pois o mesmo o atribuía somente ao chamado magnetismo animal de que era estudioso. Apenas em maio de 1855 sua atenção se voltou de modo efetivo para as mesas, e a partir de então começou a freqüentar reuniões em que tais fenômenos se produziam. Assim, esses fenômenos passaram a ser observados sob o enfoque científico. Ele percebeu que, para que esses fatos ocorressem, era necessária a presença de pessoas com certas aptidões que facilitassem a ocorrência de tais acontecimentos, servindo de intercâmbio: os chamados “médiuns”.

Apesar do caráter fantástico que esses fatos continham, o pesquisador Hippolyte Léon começou a perceber que as mesas se movimentavam sob o impulso de algo desconhecido pelas leis até então vigentes. Então imaginou a oportunidade de serem estudadas novas leis para explicar e entender esses fenômenos.

E a oportunidade apareceu. O estudioso Rivail iniciou contatos com várias pessoas, com as quais esses fatos ocorriam com mais intensidade, e uma das forças, até então desconhecidas, lhe informou que ele iria entender com facilidade o que o surpreendia. Então, tempos depois, começou a realizar reuniões com o objetivo de estudo dos acontecimentos extraordinários. Para o seu espanto, as energias independentes começaram a lhe fornecer idéias (através das pessoas com certa faculdade – médiuns) e argumentos sob vários temas e ele, então, passou a aproveitar e proceder ao aprofundamento sobre vários assuntos.

Deixando de lado todo o medo e receio sobre o que é novo, podemos imaginar o que nós iríamos perguntar a esses seres desconhecidos se nos deparássemos com tal situação? Sei que muitos estão pensando no número da mega-sena ou no gabarito daquele concurso público, mas não é bem assim.

As idéias explanadas pareciam obedecer a um roteiro previsto, e falavam de temas importantes de nossa vida. Aduziam a um novo sentido para viver. Pareciam trazer idéias novas sobre fatos há muito tempo questionados.

O final do trabalho de estudo e pesquisa do senhor Rivail aconteceu quando o mesmo decidiu organizar todas as respostas que ele obteve e comparar com as respostas obtidas por outros médiuns em locais distintos, e sem a sua participação. Ele percebeu que vários temas eram comuns e importantes, e que tinham uma coincidência de argumentos. Desse modo, elaborou um livro, que, ao seu entender não era seu, mas das forças que se manifestaram voluntariamente inicialmente no episódio de Hydesville. Portanto, colocou o nome de “O livro dos Espíritos”, publicado em primeira edição no dia 18 de abril de 1857.

É claro que, naquele momento da história da humanidade, a sociedade esperava, desta publicação, estórias, ensinamentos, contos e idéias voltadas para as manifestações em si, ressaltando o aspecto frívolo de tais fenômenos. Entretanto, não foi isso que aconteceu.

O livro, organizado por Rivail (Allan Kardec), apesar de ter surgido através de manifestações que eram extraordinárias no momento em que brotaram, estudou, citou e argumentou sobre assuntos que há muito eram questionados, como: provas da existência de Deus; origem e natureza dos espíritos (energias até então não reconhecidas por este nome); anjos e demônios; leis morais; esperanças e consolações; etc.

Um exemplo disso é esta pergunta a seguir que Kardec fez às energias que lhe visitavam: Agrada a Deus a prece? A prece é sempre agradável a Deus, quando ditada pelo coração, pois, para ele, a intenção é tudo. Assim, preferível lhe é a prece do íntimo à prece lida, por muito bela que seja, se for lida mais com os lábios do que com o coração. Agrada-lhe a prece, quando dita com fé, com fervor e sinceridade. (…). (questão 658 de “O livro dos Espíritos”).

Assim, os fenômenos, que auxiliaram a produzir o livro, induziam a todos a refletir e encarar a vida de modo mais equilibrado, fazendo com que as pessoas reconhecessem a fé de modo racional. Evidente que a maioria dos indivíduos não se interessou muito por esses assuntos. Queria apenas saber dos movimentos das mesas e objetos que se moviam sozinhos.

E por conseqüência dessa visão muito materialista, fruto da nossa visão imperfeita, é que ainda hoje resplandecem nos horizontes da sociedade idéias errôneas sobre a doutrina espírita. Façamos um teste: o que nos vem à cabeça ao pensarmos na palavra “espiritismo”? Vou tentar acertar, sem nenhuma pretensão, algumas idéias que geralmente aparecem em nossos pensamentos. Mesa branca? Macumba? Espíritos num “show de horror”? “Pomba-gira”? Efeitos fantásticos? Charlatões? Impostores?

Qualquer acerto que eu tenha realizado é mera coincidência, pois sei que os internautas são pessoas esclarecidas e não iriam responder isso. Brincadeira! Todos nós somos livres para pensar o que quiser. Mas essas idéias e entendimentos são um reflexo de uma maneira inicial e superficial de se encarar a doutrina dos espíritos, que vem caminhando desde o início.

A intenção maior deste blog é, sim, divulgar a doutrina espírita, mas, acima de tudo, é entendê-la como um conjunto de princípios, argumentos e idéias capazes de tornar as pessoas melhores, mais equilibradas e voltadas para interesses que, hoje em dia, são tão esquecidos, como Deus, Jesus, o bem comum, o amor ao próximo como a si mesmo, tolerância nas mais diversas modalidades e oportunidades, amor pela vida e entendimento do nosso cotidiano físico, mental e espiritual. Espero atingir esse objetivo.

Escrito por: Helton de Olivera Santos

 

Imagem “mesas girantes por: http://lumesespirituais.blogspot.com.br/2012/01/as-mesas-girantes.html

Foram realizadas consultas em:

O livro dos Espíritos – Allan Kardec – FEB

http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/movimento/a-historia-do-espiritismo.html

 

  1. Merely wanna state that this is invaluable , Thanks for taking your time to write this.